"Filha da ciência e mãe da caridade! Fossem as sociedades civis como tu, ó, santa Maçonaria, e os povos viveriam eternamente numa idade de ouro. Satanás não teria mais o que fazer na terra, e Deus teria em cada homem um eleito."
(Cônego Januário da Cunha Barbosa)
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29 de março de 2026

     Situar-se na História impõe antes de mais nada buscar as origens. Diante dessa consideração, cabe registrar que a palavra IRMÃO em Português provém do Latim "GERMANUS" que significa “verdadeiro”. 



     Os romanos, falantes do Latim diziam "frater germanus" para referir-se à “irmão verdadeiro”, ou seja;  filho do mesmo pai e da mesma mãe”.

FRATER         = Irmão

GERMANUS  = Verdadeiro


     No processo de derivação linguística que deu origem às chamadas "Línguas Neo-Latinas" ocorreram algumas dissonâncias em razão de influências geográficas, políticas, sociais e comportamentais dentre outras. Deste modo, a palavra IRMÃO nos idiomas Neo-Latinos derivou-se tanto do vocábulo "Frater" quanto de "Germanus", conforme exemplos abaixo:

     Português     :   Irmão

     Galego           :   Irmán

     Espanhol       :   Hermano

     Catalão          :  Germà

     Italiano          :  Fratello

     Francês         :  Frère

     Romeno        :  Frate

     Corso            :  Fratellu

     Provençal     :  Fraire 

     

     Posto isso, cabe analisarmos o aspecto semântico da palavra IRMÃO. A Semântica do ponto de vista linguístico, é o componente do sentido das palavras e da interpretação das sentenças. No universo vocabular maçônico, a palavra IRMÃO sempre caminhará de mãos dadas com o adjetivo FRATERNO ou com o substantivo FRATERNIDADE, posto que este último é um dos pilares que compõem a tríade maçônica: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.


     A Maçonaria enquanto Instituição Iniciática, admite em seu seio, homens livres e de bons costumes, sem qualquer distinção de raça, crença, religião, ideais políticos ou classe social. Assim, a forma de tratamento entre os Maçons de "Irmão" deve-se ao fato de terem sido "iniciados" perante uma instituição evolucionista que se sustenta unida antes de tudo pelo Amor Fraternal, em qualquer Grau.


     Este tratamento simboliza uma condição conquistada com a participação de um mesmo ideal baseado na amizade, na lealdade e na fraternidade. Sua origem remonta desde a época da chamada Maçonaria Operativa e reza a lenda que tal tratamento cordial  teria sido adotado pelos Maçons desde os tempos de Abraão.


     Vale ressaltar que o tratamento de "Irmão" sugere em princípio, um comprometimento, uma identificação e um "reconhecimento" como expressão de propósitos comuns, cujo maior empenho é o trabalho pelo  aprimoramento do Templo Interior, que obedece a busca incessante da prática da Virtude, do Bem, do Estudo e do compartilhamento de experiências em prol da evolução humana.


     Lamentavelmente, numa ruptura incompreensível do teor ritualístico, espiritual e esotérico que a substantivo "Irmão" encerra em si, há algum tempo em nosso País, desvirtuou-se a utilização retórica e formal da palavra "Irmão";  sendo frequentemente substituída por muitos Maçons pela vulgar expressão "Mano". É algo um tanto desolador a utilização dessa terminologia. Afinal de contas, por mais informal e pseudamente íntimo que se queira parecer, "mano" é uma chula expressão habitualmente utilizada por torcidas de futebol, bem como um linguajar típico de guetos e grupos sociais que passam bem distantes de um comportamento mais conveniente.


     Lembre-se que Maçonaria não é modinha, não é fashion, não é clube social. Muito pelo contrário, a Sublime Ordem exige uma postura ética e de respeito e também espera o "reconhecimento" entre seus pares, de homens comprometidos com toda a liturgia, sobriedade e principalmente com a Tradição, o que a torna única e diferenciada de toda e qualquer outra instituição Iniciática.


     Cabe portanto ao Maçom valorizar a forma de tratamento digna e verdadeira que serve como instrumento de identificação em qualquer circunstância. Seja em Loja, ou fora dela. Afinal de contas, os símbolos que guarnecem o espírito da Sublime Ordem, a mantém perene e efetiva até os nossos dias, graças aos nossos antepassados que sempre pugnaram por perpetuarem a Tradição.


     Irmãos sempre, sob a égide permanente de um Princípio Criador do Universo!


Fraternalmente, 

Ir:. NEWTON AGRELLA

17 de julho de 2025


     O substantivo "Perfeição" merece uma consideração toda especial e exclusiva. Afinal de contas, trata-se de um termo tão frequentemente utilizado pelos maçons, seja pela sua busca ou pelo seu exercício, que o fascínio que a "Perfeição" exala e provoca, alimenta o sonho e o desejo da imensa maioria das pessoas.

 

     Cabe no entanto, uma breve ponderação etimológica. A origem desta palavra advém do Latim e consiste na derivação do verbo "perficio" composto da partícula "per" (completamente) e "facere" (fazer). Do referido verbo surgiu o substantivo abstrato  "perfectio, -onis", que significa "completo", "terminado" ou "acabado". Portanto, "perfeição" refere-se a algo que foi totalmente realizado, que não falta nada para sua completude, ou seja, algo que não requer ou exige qualquer melhora.

  

    Semanticamente portanto, detecta-se que a "Perfeição  humana" caracteriza ou traduz a existência de um ser ideal que congrega e dispõe de todas as qualidades e não possui nenhum defeito, bem como, designa uma circunstância que não possa ser melhorada.

 

     Em razão de todo este postulado simbólico que a "Perfeição" encerra é que talvez o termo "Aprimoramento", fosse aquele que melhor representasse ou traduzisse o exercício filosófico que a Maçonaria propõe. Afinal de contas, "Aprimoramento" significa o ato ou o resultado de tornar algo  melhor, mais primoroso. Refere-se ao processo de desenvolvimento e refinamento de habilidades, conhecimentos ou qualidades. Em outras palavras,  é o simbólico exercício de dar forma e conteúdo à nossa Pedra Bruta, desbastando-a, conferindo-lhe forma e essência, polindo-a e tornando-a cada vez melhor. Trata-se no entanto, de uma prática contínua e inesgotável que o maçom, como ser humano, precisa encarar e entender como infinita.

 

     A Maçonaria é sim, um campo dialético filosófico em que o maçom, busca o incessante Aprimoramento da própria Conscíência", como forma de contribuir, para de algum modo, tornar feliz a humanidade e a si mesmo. Trata-se pois de um processo antropocêntrico, especulativo, sujeito a estudo e inspirado no reconhecimento inteligente da existência de um "Princípio Criador e Incriado do Universo", ao qual o maçom dedica sua obra.

 

 

A Perfeição é Deus.

 O Aprimoramento é a missão a que o Ser Humano se submete.


T:.F:.A:.

Ir:. NEWTON AGRELLA

25 de março de 2025



     O Dogmatismo constitui-se num pressuposto teórico comum a diversas doutrinas e sobretudo religiões. Esse pressuposto afirma a capacidade humana de atingir o Conhecimento e a Verdade de maneira absoluta.